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23 de Abril de 2019
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    Polícia Federal caça 165 da máfia dos concursos

    Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes
    há 9 anos

    PF deve pedir a prisão preventiva de acusados de fraudes. Hoje, mais 45 que fizeram provas para a Anac e a Abin prestarão depoimentos. Desses, 12 foram empossados.

    A Operação Tormenta, investigação que levou a Polícia Federal a identificar um profundo esquema de fraudes em concursos públicos, pode levar para atrás das grades os primeiros culpados. Ao concluir a fase de depoimentos dos envolvidos no escândalo -- até agora, 165 pessoas --, a polícia admitiu que há indícios suficientes para que o delegado responsável pelo inquérito, Victor Hugo Rodrigues Alves, peça a prisão preventiva dos suspeitos de comandarem a máfia. Todos deverão responder por estelionato e receptação. Foram detectadas fraudes em pelo menos cinco seleções nacionais: Agencia Nacional de Aviacao Civil (Anac), Agência Brasileira de Investigação (Abin), Receita Federal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para a própria PF. As pessoas aprovadas e que tomaram posse perderão os cargos.

    Estão marcados para hoje depoimentos de 45 suspeitos de irregularidades. Desses, 36 fizeram provas para a Anac, sendo que 11 tomaram posse -- oito como analistas e três como técnicos. Uma dessas pessoas é irmã de um policial rodoviário federal, que desviou cadernos e gabaritos dos testes e já foi defenestrado do serviço público. Outros nove integrantes da máfia participaram do concurso da Abin, dos quais um assumiu como oficial de inteligência, ou seja, como "araponga". Os dois certames que resultaram em uma nova fase de investigação da PF foram realizadas pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB).

    Desencadeada há três semanas, a Operação Tormenta teve início em fevereiro, quando a PF detectou indícios de que 53 candidatos se infiltraram na própria corporação após pagarem até R$ 180 mil para terem acesso às respostas. Na ocasião, as autoridades prenderam 12 pessoas -- entre eles o dono de uma universidade em São Paulo e um policial rodoviário federal responsável por fazer o transporte das provas. No entanto, o que deveria ser um corte na própria carne se revelou um dos maiores esquemas já desbaratados no país com alvo em concursos públicos.

    Segundo o delegado responsável pelo caso, a quadrilha atuava há pelo menos 16 anos no país. Em 1994, o grupo deu início ao esquema atuando no conturbado concurso para a Receita Federal, em que 41 pessoas envolvidas no esquema teriam sido aprovadas. A prova foi questionada na Justiça Federal e os concorrentes tiveram ganho de causa. O resultado da seleção seria homologado exatamente uma semana depois que a PF divulgou a Operação Tormenta.

    Assim, todos os candidatos aprovados ficaram impossibilitados de receber os salários retroativos a 1994. "Isso daria um prejuízo de R$ 123 milhões aos cofres público", ressaltou, durante a divulgação da operação, o diretor de Inteligência da PF, Marcos David Salém. A investigação apurou também que a quadrilha fornecia documentos falsos como diplomas a um custo de R$ 30 mil para que os candidatos se tornassem aptos a disputar determinadas seleções.

    O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmou que nenhum concurso público será cancelado devido às fraudes. De acordo com ele, os processos de seleção não precisariam ser suspensos porque todos os fraudadores foram afastados, o que garante a legalidade do concurso. Segundo Corrêa, a intenção da PF é justamente apontar as falhas dos concursos públicos para que os órgãos competentes repensem o atual modelo de seleção.

    Até o fechamento desta edição, as instituições organizadoras e os órgãos envolvidos mantiveram silêncio sobre as investigações da Polícia Federal.

    A Anac, que fez concurso em 2009, informou, por meio da assessoria de imprensa, desconhecer as fraudes detectadas e que os problemas na seleção para o órgão "poderiam ser melhor respondidos pelo Cespe, entidade contratada para fazer a seleção". O Cespe, por sua vez, alegou, também por meio da assessoria de imprensa, não haver sido notificado oficialmente sobre as irregularidades detectadas pela polícia e, portanto, não ter condições de comentar sobre a investigação. O mesmo discurso foi apresentado pela Agência Brasileira de Inteligência, que realizou concurso em 2008.

    Desde o início da Operação Tormenta, 12 concursos já foram investigados. Desses, 10 foram organizados pelo Cespe, um pela Escola de Administração Fazendária (Esaf) e um pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Até o momento, cinco tiveram irregularidades confirmadas, mas a PF não identificou ligações das fraudes com as empresas contratadas para fazer as seleções. No mês passado, o Cespe chegou a responder que o transporte dos malotes lacrados com os cadernos de questões era feito pela própria empresa e com acompanhamento dos coordenadores de aplicação de prova da organizadora, que são servidores da UnB.

    O argumento do Cespe, na ocasião, foi o de que o desvio das provas da PF e da OAB teria ocorrido "nas dependências da Polícia Rodoviária Federal e não no momento do transporte". As investigações colocaram em discussão as fragilidades do sistema de aplicação de provas para concursos públicos. O ponto fraco da organização está no transporte dos cadernos de provas, momento em que ocorre o desvio dos documentos.

    Os candidatos a vagas de auditor da Receita Federal, carreira com um dos mais altos salários entre os servidores públicos do país, pagavam até R$ 270 mil à máfia dos concursos para ter acesso as respostas dos cadernos de provas.

    Quadrilha desbaratada

    A origem: O responsável por encabeçar todo o sistema de fraude pagava propina às pessoas com acesso às provas. Depois, revendia as cópias dos cadernos aos clientes por meio de distribuidores

    O desvio: Mediante pagamento, uma pessoa responsável pela segurança e com acesso aos cadernos de questões fazia o desvio das provas um dia antes da realização do exame

    Os vendedores: Depois de receber as cópias das provas do líder da quadrilha, os distribuidores as revendiam diretamente para os candidatos ou para aliciadores

    Os aliciadores: Esses eram os responsáveis por negociar as provas com os candidatos. Com o esquema já montado, acertavam com os "clientes" e garantiam que o pagamento fosse realizado

    O mercado: Confirmado o esquema para uma determinada seleção, os vendedores e aliciadores saíam em busca de candidatos inscritos que desejassem comprar o caderno de perguntas antecipadamente

    Os falsificadores: Responsáveis por falsificar diplomas e certificados para candidatos que não contavam com a formação necessária para concorrer para determinada vaga em concurso

    Os especialistas:Até professores estariam envolvidos no esquema e muitos deles deram aulas em cursos preparatórios. Ficavam responsáveis por resolver as questões copiadas no caderno de perguntas

    Fonte: Correio Braziliense

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